Um desábito. Um não fazer nada por não se ter de fazer.

Um pensar desmedido pela estranheza de uma não necessidade de o operar.

Os seixos rolam num leito de água que já nem me move, desistiu, me abraça apenas. Os eixos dos barcos rolam por sua vez numa tentativa humilde de não sei quem de pele tisnada e cabelo queimado ganhar meia dúzia de círculos foscos, o pão de amanhã, que a fruta é apanhada das árvores suculenta, madura, fervida num sol de Julho.

Sulcos rompem do chão, brechas se abrem no solo como gretas se abrem nas mãos.

E eu observo com estes olhos que a terra há-de comer o marinheiro que se faz ver e o agricultor que me viu crescer.

Tenho marcas no corpo e rugas na alma e viveria disto se não tivesse a Palestina e Israel em mim. Sonhos vastos e sonhos de terra, dissonância que das minhas origens me desterra.

Uma periguete do campo deslumbrante numa versão de desenraizado viajante.