Qualquer palavra me incomoda como se fosse peça de roupa apertada e ao mesmo tempo elástica, custosa de despir, criadora de uma distorção da visão pela raiva à prisão em que nos encarcera. Quero um mimo, e é essa a razão deste desvario e do rodopio em que me deixo ir.

Não queria dizer o que disse, responder o que ouviste porque não é o que sinto, só estou ocupada sentindo outras coisas que me incomodam e deixam desconfortável. Coisas que se tornaram ruído sobreposto à melodia que soltas. É um zumbido atordoador aquele que me acomete, tapo os ouvidos com as mãos na esperança de não ouvir, mas em vão, que ouço nem que seja menção sonora ao mar, imagem que traz saudade e lucidez sobre o que outrora não me permitia ter.

E volto ao mesmo bate papo monocórdico incessante e desgastante, um monólogo de mim mesma para mim mesma que salta de assunto em assunto sem respeito pelos limites da minha capacidade de compreensão das divagações por que enveredo.

Advertisements