Há toda uma paleta de erros que mancha a negro, esbate a cinzento desnudando o branco da sua pureza inicial. Pintamos a vida nos trâmites daquilo que somos por hábito e falta de um saber fazer melhor.

Dei-me conta que é meu vício voltar ao zero, ao branco, e que em todas as vezes em que o faço melhoro algo, faço crescer sorrisos rasgados e imaginários em tudo aquilo por onde passo e onde me derreto no compasso.

E hoje me dei conta que cada vez mais gente me circunda, que uma vida passada contada numa vida presente é menos escandalosa e mais aceite se contada no corrente. Na altura em que decorre é o que fomos, no agora é o que deixámos de ser.

Perde todo o sentido apontar o dedo num agora corrente definindo um ser se todo esse lote de acontecimentos são ponto fulcral na concepção da sua definição num futuro posterior.

E se a fórmula da educação para a criação do ser ideal passasse por aprender com a experiência do que é moralmente e socialmente menos correcto, ou até mesmo incorrecto? Na altura da realização do erróneo acto, talvez tenham sido essas escolhas que tenham feito sentido, e não sendo foram de algum modo as que nos despertaram o nosso lado animal: Homem versusmáquina.

Comecei fora do socialmente aceite e hoje sou muitas vezes confundida com o socialmente desejado. Não estou satisfeita quando me integro, mas mais livre me encontro quando, algures em mundos paralelos, me desintegro. Não sou feliz, não me sinto completa, conquanto mais leve devido a vazio de valores que na minha percepção morrem na sua falta de lógica coordenação. Individualismo forçado e genialidade fecundante subtraem ao que conheço a beleza da ignorante humildade. Desmedida confiança decorrente e noção de atingível perfeição me fazem percepcionar um mundo de ilusão sacrificado pelo intelectual a um conceito estapafúrdio de real coerente.