Barulho de soalho que range, papel de parede que não gosto, desgosto, de cores secas e escuras, tristes e profundas, imundas, sujas de ti, do odor com que as impregnaste no tempo que aí ficaste. Não te arrependes da dor que me deste de mão beijada? Não te arrependes do ardor que enrubescia a minha cara cada vez que me falavam das tuas histórias paralelas?

Deixaste-me teu lar em jeito de agradecimento daquilo que materializei e não proferi. Peso na consciência? Admiro-te. Ao menos sabias que depois de morta, vergonha não irias ter de escorraçada ser depois de se vir a saber o que aprontaste, a gente que iludiste, que fizeste feliz para depois criar um ponto de interrogação primeiro, indignação de seguida e nada por fim. E se avoluma a ganância. Não te conheciam, de cor te sabiam, e agora a significância do saber da insignificância dos significados para ti se revolve lhes revolvendo entranhas, desenhando garras e conjecturando ardis para fechar o que tinha nascido de ti na gaveta das coisas que nasceram efectivamente. Tu eras a rosa, eu os espinhos que te protegiam. Não desferi o golpe, tu sim, quando me incitaste a deixar ser levado pelo vento.

A mim me amaste e a ti te amei. Contudo julgo a tua coragem como sempre julguei, julgando que o teu julgamento noutro mundo será mais penoso que o que em vida aqui foi. Por falta ao juramento que enunciaste e à palavra que não honraste, te amo mas por sentimentos retidos e outros tantos fingidos creio te odiar um pouco, só um pouco… devias ter ficado mais tempo, partido com a chuva de Abril e não com o sol de Agosto. Íamos fugir… Tinha tudo planeado, a minha fuga ao teu mundo, a tua fuga ao estipulado, o consumir do pecado… Sempre o fizeste. Eu não. E fico aqui de coração nas mãos… O costume. Educaste-me bem.

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