Senta-se no sofá. A coca-cola repousando no copo, envolvente do gelo que se quebra ao toque quente da bebida circundante. Faz calor, as janelas abertas de par em par. Cruza as pernas, mãos atrás da cabeça, expressão imprecisa no rosto, olhar no tecto de madeira ressequida acima de si disposto. O cigarro descansa no cinzeiro, meio apagado, um tanto ou quanto sujo da imensa cinza presente de voo relativamente latente. Os dedos das mãos tocam nas almofadas ao ritmo da música, a que se ouve e a que não. A t-shirt está amarrotada, as calças de nódoas impregnadas, os chinelos se escondem por baixo das revistas e jornais que atapetam o chão e enchem o tempo que não soube utilizar de outro modo.

Numa palavra: desarrumação (fisicamente incómoda, psicologicamente estimulante).

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