Minha alma penhorada

vendi- a ao diabo

na ânsia de o que Deus quiser não seja.

Outra coisa virá concerteza

daquilo que Deus não quer.

O fruto proibido tinha sabor,

e a vergonha de lição serve.

(Paciência.)

Rotinas divinas, regras tantas,

Guerras santas, cá dentro.

O bem que daí advém

melhor é que o mal da ignorância?

(Talvez.)

Assim como do breu vem quem limpa a cor

Do não saber vem quem a liberdade tira.

E se aos meus mistérios tenho pavor,

Aos dos outros tenho amor.

E se o diabo vier, assim seja

Que quem dele não tem medo,

A seus pés não rasteja.

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