Ele tem garra de leão, memória de elefante.
Ele agarra as coisas, agarra-as.
É ladrão. E roubou-me.
É honesto. E devolveu-me. Melhor.

Ele acha que vacilo. Ele não percebeu.
Eu não expliquei.

Os segredos que ele acha que escondo são as palavras que tento encontrar.

Ele tem medo que o mar seja demasiado duro, mas em verdade vos digo, é esse mesmo mar que faz o marujo.
Ele acha que o bote de salvação salva, quando o navio se tornou meu lar.
E eu quero morrer em casa.

Digo que sou dele e figas faço para que seja para sempre meu.
Mas não, ele não é de ninguém.
É aquele pedaço de luz que se come e não se contém.

As guerras que faço amiúde são com os personagens dos contos que a mim conto.
E ele é aquele que salvo, quando me salvo.
Sou o heroísmo do meu herói.

Se ele soubesse o quanto me orgulho de quem é.
As saudades que tenho de acordar antes e adormecer depois.
Às vezes dói, assusta o fôlego.
Um cobarde desaprende de respirar, de querer mais do que se tem medo de perder.
Ele cuida que cuida, quando apenas é descuidado com as coisas a seu cuidado.
Perdeu o discernimento porque somente a fé o move. E as perguntas se engolem.
E as perguntas se afundam nas pilhas de almofadas e nas pilhas de cobertores.

Procura-se calor no banho quente, e na sopa morna.
Procura-se calor no filme leve e no sono pesado.
Procuro-te quando acordo. E mesmo quando durmo.

Não há espaço tempo em que não sejas.
Não há refeição em que não me alimente em ti,
Nem labuta em que não me lembre da nossa missão.

Ficar juntos. Mais que tudo, ficar juntos.

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