IMG-20131222-00151

E lá vem ele: o galã. Gosta de realizadores italianos, acha que é DJ e podia dançar um pouco melhor. Faz sabonetes e põe a máquina de lavar louça a deitar espuma. Vai beber uma cerveja e despeja três. Põe música ambiente no carro e transforma toda a faixa de rodagem numa discoteca itinerante. Traz uns sapatos que não condizem com as calças, e umas calças que não combinam com a camisola. Tudo tão velho, sem pretensiosismo de parecer novo, pois novo não é, pois velho o poderia chamar, mas velho ambos sabemos ser apenas uma distinta parte do seu (tão seu) desadornado charme.

WP_20131222_001

E lá vem ela. Aparece com aquele nariz ranhoso bem vermelhão, o Rodolfo cá do sítio. Traz umas jardineiras a meia canela e um casaco de pijama. Vem toda dondoca, com os seus vírus atrás, me dar um beijo. Vai de retro Satanás que me pões doente! Olho para as suas sapatilhas de amarelo vivo e me dá uma vontade enorme de rir. De onde vieste tu rapariga? Da terra do “Era uma vez….”? És a versão feminina do Peter Pan apesar de não conheceres sequer a Terra do Nunca.

Era uma vez um pavilhão.

Era uma vez um grupo de coletes vermelhos.

Ama o que fazes, dizem. Ama as pessoas com quem o fazes, digo. São elas que fazem valer a pena. É o carisma, a brincadeira, a intimidade que vamos ganhando com o tempo que ao transbordar faz o visitante se sentir em casa. E às tantas deixa de ser o visitante, deixa de ser o cientista ou o engenheiro, deixa de ser o colete, para ser apenas o pessoal da casa: a Terra do Sempre.

Advertisements