A pele vira casca de laranja ao soar badalada de sino de igreja: a morte bateu à porta de alguém.

Não te vás embora! Não não! Ainda falta dizer que te amo. Ainda falta dizer mil e uma vezes que te amo.

Tenho medo… Medo que te esfumes para lá desse nevoeiro cerrado. Receio que não tenhas um sítio na alma enraizado que habites desse lado me afagando deste.

Tenho medo… Medo de te deixar de sentir, de fluíres no tempo e te difundires no meu lembrar de momentos.

Fica comigo… A metade da laranja não pode simplesmente deixar de existir. Dá-me a mão e aperta-a com força para eu sentir que estás aqui, que ainda estás aqui. Não feches os olhos. Não não! Não sorrias assim… como se dissesses olá a alguém e adeus a mim.

Não te afastes, não voes para o outro lado desta dimensão, não assim. Quero dizer-te outra vez que te amo porque uma vez só não chega. Mil vezes não chegam… Quero dizer-te outra vez que todo o meu sonho de perfeição ainda reside em ti.

Não partas. Não apanhes esse comboio que nosso destino tece te levando para longe. Nesse entretanto, me sento olhando a carruagem que te acercando me cega e emudece. Me impede de te ver direito e solta o choro que tal efeito crescentemente grada.

Quero que saibas antes de nos perdermos de vista que te juro: após minha partida te procuro… e te encontro. Sim sim!

Tenho-te na pele. Tenho-te em mim.

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