Baixas a cabeça. Pensas em algo. Em que pensas? Levantas a face, franzes o sobrolho, finges um sorriso, piscas os olhos em câmara lenta. Pressinto o enlaço em que subtrais ao teu desagrado a conquista do meu silêncio. Iludo-me com os negativos da tua vida. Observo num mutismo cortante o por detrás do abraço e os sonhos por detrás do falso, do espelho falso… ou uma porta para uma divisão igual. Finjo que é reflexo que fingimento emudece o diabo e me dá menos sofrimento. Para me enveredar no mesmo caminho fico aqui. Porta fechada. Fico assim, e me farto, arranco cabelos, rasgo a roupa, grito, chispo fogo, choro rios, palpitam-me desvarios. Fecho os punhos, endireito as costas, direita, dominadora não dominada, exerço força na parede. Bato e bato e desfaço tijolo, a tinta cai, o cimento ja não se refaz e barreira se desfaz.

Avisa o teu mundo que estou voltando a casa, estou voltando à vida, estou voltando ao pesadelo que já não é pesadelo por não ser nada.  O outrora pesadelo, hoje me desperta corpo, me reaviva pele, me incendeia coração, flutuação.. e se não fosse isso, se não fosse isso de que viveria ? Ar? De ti?

– Então, em que pensas?

Estou de saco cheio do teu saco vazio. Já estive contigo uma vez. Vestias o mesmo fato. Contudo, pensando bem… tudo agora é padronizado. Desculpa, confusão minha, confundi-te.

– Então, em que pensas?

Nas parecenças saltando à vista e afundando as diferenças que cuidam da continuidade da felicidade simplista que se criou a partir de um cepticismo relativo à fusão de químicos incompatíveis. Paradoxo. Corrosivo, atractivo, o negativo do positivo que se anula e em nós se perpetua não sei como.

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